Olá!
Talvez durante essas últimas semanas, vocês já tenham visto, ouvido e conversado pelos corredores da FEUSP que muito em breve vamos passar por um processo muito importante e que envolve a todos nós da FEUSP (e toda USP também):
A eleição para escolha do novo/a Diretor/a da Faculdade de Educação!
Esse processo acontece a cada 4 anos, ou seja, todos nós, temos chance de não só opinar sobre qual candidato queremos que nos represente no cargo máximo de poder da FEUSP, mas de interferir nesse processo!
Não se trata de uma eleição direta, como as presidenciais por exemplo, pois apenas professores titulares votam efetivamente, mas há 30 anos fazemos um processo de CONSULTA À COMUIDADE, e a Congregação historicamente tem respeitado a decisão da consulta!
Quem será consultado?
Os estudantes de graduação (pedagogia), licenciatura e pós-graduação, os funcionários técnico-administrativos e os docentes.
Quando seremos consultados?
Nos dias 06 e 07 de abril, durante todo o dia.
Como daremos a nossa opinião?
Haverá uma urna para cada uma das categorias, e o processo é semelhante a uma eleição direta, com cédulas, listas de presença e é claro: campanha!
Como posso me informar melhor sobre os candidatos?
>> Lendo o Boletim Especial do CAPPF que entrevistou os candidatos (que foi distribuído pelos corredores da FEUSP, nos murais)
>> Acessando seu e-mail institucional (o tal @usp.br), pois várias mensagens foram mandadas sobre este assunto!
>> Entrando no site do CAPPF: www.cappf.org.br pois lá, estamos tentando manter atualizado com todas as informações possíveis!
>> Indo aos Debates entre os candidatos que estão acontecendo no Auditório da Aplicação (já aconteceram dois, o terceiro e último será na 2a feira, dia 05/04 às 16h - logo depois da Semana Santa!)
É importante que estejamos atentos, pois somos responsáveis pelo nosso presente e também pelo futuro de outros que virão, em relação ao projeto de Universidade e de sociedade que queremos/construímos!
Segue abaixo o conteúdo do Boletim Especial sobre as Eleições para Direção da FEUSP:
(precisamos de ajuda pra diagramar aqui e ficar mais fácil a leitura!)
Talvez durante essas últimas semanas, vocês já tenham visto, ouvido e conversado pelos corredores da FEUSP que muito em breve vamos passar por um processo muito importante e que envolve a todos nós da FEUSP (e toda USP também):
A eleição para escolha do novo/a Diretor/a da Faculdade de Educação!
Esse processo acontece a cada 4 anos, ou seja, todos nós, temos chance de não só opinar sobre qual candidato queremos que nos represente no cargo máximo de poder da FEUSP, mas de interferir nesse processo!
Não se trata de uma eleição direta, como as presidenciais por exemplo, pois apenas professores titulares votam efetivamente, mas há 30 anos fazemos um processo de CONSULTA À COMUIDADE, e a Congregação historicamente tem respeitado a decisão da consulta!
Quem será consultado?
Os estudantes de graduação (pedagogia), licenciatura e pós-graduação, os funcionários técnico-administrativos e os docentes.
Quando seremos consultados?
Nos dias 06 e 07 de abril, durante todo o dia.
Como daremos a nossa opinião?
Haverá uma urna para cada uma das categorias, e o processo é semelhante a uma eleição direta, com cédulas, listas de presença e é claro: campanha!
Como posso me informar melhor sobre os candidatos?
>> Lendo o Boletim Especial do CAPPF que entrevistou os candidatos (que foi distribuído pelos corredores da FEUSP, nos murais)
>> Acessando seu e-mail institucional (o tal @usp.br), pois várias mensagens foram mandadas sobre este assunto!
>> Entrando no site do CAPPF: www.cappf.org.br pois lá, estamos tentando manter atualizado com todas as informações possíveis!
>> Indo aos Debates entre os candidatos que estão acontecendo no Auditório da Aplicação (já aconteceram dois, o terceiro e último será na 2a feira, dia 05/04 às 16h - logo depois da Semana Santa!)
É importante que estejamos atentos, pois somos responsáveis pelo nosso presente e também pelo futuro de outros que virão, em relação ao projeto de Universidade e de sociedade que queremos/construímos!
Segue abaixo o conteúdo do Boletim Especial sobre as Eleições para Direção da FEUSP:
(precisamos de ajuda pra diagramar aqui e ficar mais fácil a leitura!)
Especial: Eleições para Direção da FEUSP
2010 é ano de eleição pra direção da FEUSP.
Este material especial foi elaborado pelo CAPPF com a contribuição de estudantes para que toda comunidade FEUSPiana fique a par desse processo tão importante que é a escolha para o cargo máximo de poder na Faculdade de Educação.
Iniciamos essa publicação resgatando um pouco a memória e nosso histórico no movimento estudantil, com uma carta escrita pelos estudantes em 2006 sobre o último processo de eleição para direção em 2006 FEUSP:
"Carta sobre a eleição para diretor da FEUSP de 2006
Para o futuro (para ser lido no final de 2009 - sobre o processo eleitoral).
Estamos em março de 2006 e acabamos de passar pelo processo eleitoral para a direção da FEUSP, nesta carta vamos relatar os maiores acertos e erros que tivemos com esse processo que começou no final do ano passado 2005 nas reuniões da Congregação da FEUSP. Na verdade, esperamos que vocês já tenham alcançado as tão desejadas eleições diretas e paritárias que tanto ansiamos.
Quando as conversas de corredor e a pauta da Congregação começaram a falar em eleição para diretor, preparamos com ajuda dos RDs representantes discentes, ou seja, representantes dos estudantes uma carta a ser lida na congregação denunciando o processo e propondo um calendário eleitoral
Havia a possibilidade das eleições caírem em fevereiro, o que seria um desastre pois estaríamos em férias, porém elas foram adiadas para o dia 16 março o que também não foi nada bom, já que, mesmo com as aulas iniciando oficialmente em 20 de fevereiro, a primeira semana foi uma semana de recepção dos calouros e na segunda semana foi o carnaval, ou seja, tivemos apenas duas semanas para mobilizarmos os estudantes.
A congregação indicou a formação de uma comissão eleitoral que era composta de um professor do EDA, um do EDM e um do EDF, além de um funcionário, um estudante e um representante da escola de aplicação. O professor do EDA foi o Romualdo Portela?, que falou que participa da organização da consulta à 16 anos, ou seja, ele pode ajudar bastante vocês a entenderem melhor todo o processo. Nessa comissão nos organizamos 2 debates, um no dia 7 as 10h focado mais nos funcionários e um no dia 8 focado nos professores e alunos da FEUSP além da EA. O ideal seriam 3 debates mas isso era inviável com o tempo.
A comissão ainda organizou a consulta à comunidade, ou seja, um processo informal de eleições diretas e paritárias. A consulta foi um sucesso, principalmente entre os professores e funcionários que votaram quase 100%. Quanto aos alunos foi muito difícil explicarmos todo o processo e convencê-los a votar, mas vamos tratar mais a fundo disso adiante.
O CAPPF, além de fazer cartas à Congregação e participar da comissão eleitoral, enfeitou toda a FEUSP com cartazes que pediam eleições diretas, que questionavam o processo como ele é, em que apenas os professores titulares podem se candidatar e são justamente os professores que, apesar de serem a minoria na faculdade, tem a maioria dos votos na eleição formal. Também enviamos uma carta a todos os professores titulares a fim de sabermos quais eram os candidatos a eleição (se vocês não sabem todos os titulares são candidatos até que eles digam que não são, o que é muito confuso, principalmente quando queremos entrevistar os candidatos ou chamar apenas os candidatos para um debate), a carta tinha algumas perguntas que os candidatos deveriam responder. Publicamos as respostas que recebemos na edição especial do USPedagogos. Após analisarmos as propostas dos candidatos deliberamos em reunião ordinária que não apoiaríamos nenhum candidato, ou seja, incentivaríamos o voto nulo, e para dar uma animadinha lançamos a campanha do Paulo Freire. Apesar da carta programa do Paulo Freire ter ficado super legal, foi meio confuso para as pessoas entenderem que ele era um candidato fictício, além disso, as pessoas não entendiam porque deveriam votar se nenhum candidato era bom. Apenas 278 estudantes votaram (lembrando que os estudantes da pós-graduação e os da licenciatura votam!).
Avaliamos que fizemos um bom trabalho porém fomos imensamente prejudicados pela falta de tempo e assim, não pudemos explicar melhor nossa de escolha de não apoiarmos ninguém.
Na consulta acabou escolhendo a Sonia Penin e fizemos uma assembléia para definirmos os votos dos RDs. Na assembléia foi tirado que apoiaríamos o resultado total da consulta já que, apesar da maioria dos estudantes terem votado na Belmira Bueno, respeitaríamos a paridade da consulta entendendo que ela é um passo na direção de maior democracia na FEUSP.
Na eleição da Congregação a Sonia teve 42 votos, grande maioria, enquanto os outros candidatos (a Belmira e o Nélio Bizzo) tiveram cerca de 5 votos cada, ou seja, a Congregação realmente respeitou a consulta apesar desses 10 ‘pelegos’.
Dicas para 2010:
• Tentem ao máximo marcar a eleição formal para pelo menos 2 messes depois do início das aulas, assim vocês não terão de correr tanto como corremos e poderão fazer um trabalho com melhor qualidade.
• Na reunião da Congregação que tirar o dia da eleição, tirem um dia para o debate, e que ele aconteça no período das aulas. Esse ano ele aconteceu apenas no inter-aulas (18h) o que foi ruim porque muita gente não pode participar, e lembrem-se que a licenciatura e pós também votam e portanto devem estar presentes no debate.
• Conversem muito com os professores mais próximos ao CA, eles podem explicar melhor como funciona o processo formal, além de que eles conhecem melhor os outros professores e, provavelmente, vão poder dizer quem é candidato, qual o histórico de cada candidato, seus pontos positivos e negativos, etc.
• Conversem com estudantes que participaram desse processo anteriormente, eles podem ajudar e muito.
• O debate entre os candidatos foi filmado, ou seja, ele deve estar em algum lugar da Faculdade, o Romualdo provavelmente sabe.
Muita luta pra vocês!!!
Gestão Ousadia 2005/2006"
Entendendo um pouco melhor todo esse processo:
Está no estatuto da USP: todos os cargos de direção, chefia e (pró)reitorias só podem ser ocupados por professores titulares. Esta é a denominação daqueles professores que ocupam as poucas vagas no ponto mais alto da carreira docente dentro da USP. Mas, eis que surge a pergunta: A capacidade de gerir esta universidade deve ser alinhada a progressão profissional de um professor? Na eleição para direção da FEUSP esta regra em relação aos cargos de poder, se mantém.
Mais do que poder, professores titulares são automaticamente as/os candidatas/os às eleições. Quem não quiser pleitear o cargo, publica uma carta de renúncia à candidatura. Assim, só sabemos, de fato, quem NÃO quer ser eleito. Todos outros professores titulares são “votáveis”.
Este ano, três professores mantiveram a candidatura, são eles:
Prof. Leandro de Lajonquière (EDF – Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação). Neste semestre está dando aula para o 2º ano, na disciplina: A Constituição da Subjetividade: Infância e Adolescência.
Profa. Lisete Regina Gomes Arelaro (EDA – Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação). Neste semestre está dando aula para o 2º ano, na disciplina: Política e Organização da Educação Básica I - POEB I
Prof. Manoel Oriosvaldo de Moura (EDM – Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada). Neste semestre está ministrando os estágios no Clube da Matemática.
A escolha da direção da unidade é feita na Congregação: apenas representantes dos demais órgãos colegiados votam e nós, estudantes, temos um voto de nossa representante na graduação e um de nosso representante da pós! E funcionários da FEUSP? Tem UM voto!
O bom nisso tudo é que, apesar de ainda não termos batido de frente com essa capenga democracia USPiana, a FEUSP vem já há muitas eleições realizando a CONSULTA à COMUNIDADE para a eleição da direção!
Serão abertas 3 urnas (uma pra estudantes, uma pra funcionários e outra para professores), com data e horário previamente marcados. Toda a comunidade FEUSP vota no candidato que achar por bem. Acabado o prazo da eleição, os votos de cada categoria serão contados e vale a regra de voto paritário. Ou seja: normaliza-se a quantidade de votos pra uma mesma proporção e vale, na conta final, as porcentagens que cada um recebeu em cada urna.
O combinado é o seguinte: na Congregação, no dia 8 de abril, nossos representantes, lá presentes, comprometem-se a votarem na pessoa eleita na consulta! Ou seja: a eleição da congregação (que tem que acontecer por conta do estatuto da USP) só irá referendar a consulta.
Por isso, é muito importante que participemos do processo!
O CAPPF mandou uma lista de questões aos professores que se manifestaram como candidatos para que pudéssemos conhecer um pouco o que cada um deles pensa sobre alguns temas. Não delimitamos a quantidade de caracteres para cada resposta, por isso, publicamos na íntegra as respostas dos professores. Confira no site outras questões: www.cappf.org.br
Aí vão as questões, com as respostas por ordem de recebimento:
1) Na USP só os professores titulares podem ser candidatos a reitor e diretor de unidade. Além disso, o reitor é escolhido pelo governador do estado (ainda que a partir de uma lista tríplice). Tendo em vista esses fatos, diga o que você pensa sobre a democracia na USP.
Leandro: Creio que, embora pertinente, a questão do caráter democrático das relações na universidade seja mais complexa do que o formulado diretamente na pergunta O caráter democrático de uma instituição, sua qualidade e integridade dependem de regras eleitorais, mas a elas não se resumem. A restrição em nível de titulares para Diretor e Reitor não é privativa da USP. Na maioria das universidades no mundo há sempre alguma dita e singular restrição. Entretanto, há outras onde não há nenhuma nem para Reitor nem para Diretor como, na universidade na qual realizei meus estudos de graduação. É claro, isso passou a ser dessa forma, uma vez encerrada a criminal ditadura militar que governou a Argentina no período 1976 - 1983. Já onde fiz meu Doutorado – na FE da UNICAMP – não há tampouco nenhuma restrição para concorrer ao cargo de Diretor. Relembro que em meu departamento a prioridade para os Professores Titulares na candidatura para a chefia foi abolida, mas no caso da eleição para Diretor o problema é mais complexo porque sua modificação exige mudanças no regimento da USP, que devem ser feitas, mas implicam uma mobilização que extrapola a FE. Vou me permitir, então, centrar a resposta num aspecto muito mais urgente a meu entender: o caráter indireto da eleição. Eu estou convicto que toda eleição seja no nível que for e onde for deve ser simplesmente direta. Embora frágil como toda criação humana, a eleição direita é até agora o melhor das formas das vontades virem a se exprimir com transparência e simplicidade. Por sinal, aproveito para deixar bem claro que só aceitarei ser Diretor caso essa seja a mensagem indubitável das urnas da consulta dos dias 6 e 7 de abril.
Lisete: Apesar da resistência de parte de professores da USP não querer alterá-lo, este modelo está superado, como se pode constatar na última escolha para Reitor. Defendo a realização de uma Estatuinte, democrática, livre e soberana, com ampla participação de professores, estudantes e funcionários técnico-administrativos, conforme já definido em assembléias gerais dessas três categorias.
Falta-nos um estatuto construído democraticamente – já que o último deu-se em 1988 e foi aprovado de forma antidemocrática – pois isso favorecerá a humanização do trabalho e das relações sociais, administrativas e acadêmicas na Universidade. Defendo que a estrutura da Universidade seja fundada em organismos democráticos, com participação de representantes de cada categoria e de cada um dos segmentos. Em particular, chefes de departamento, diretor e reitor devem ser escolhidos por eleições diretas, de forma paritária e proporcional, com a participação de docentes, estudantes e funcionários e sem que a exigência da titulação máxima docente seja o critério preferencial para o preenchimento dessas funções. Tais escolhas devem se esgotar no âmbito dos departamentos, das Unidades e da Universidade, com o fim das listas tríplices para diretor e reitor.
Ori: Considero que a progressão na carreira acadêmica está associada também a gestão da Universidade. A comunidade é quem deve decidir quem considera ter condições para representá-la na coordenação e implementação de projetos e ações que contribuam para o cumprimento das metas e dos objetivos acordados como sendo os mais pertinentes para a realização da função social da FE. Como a contratação de docente na USP exige que o candidato tenha o título de doutor, considero que este, também deva ser o requisito mínimo para ocupar cargos de chefia e coordenação de Comissões. Já, para assumir o cargo de reitor, acho que deve haver amplo conhecimento das diferentes instâncias que compõem a Universidade e da sua complexidade acadêmica e administrativa de modo que o postulante a este cargo tenha uma visão bastante abrangente do seu funcionamento. Acredito que professores associados já tenham condições de serem pró-reitores ou reitores.
A eleição para a direção deveria ser apenas da competência de cada unidade da USP. O processo deveria começar e terminar na unidade e caberia ao Reitor acatar a decisão da unidade sobre a escolha de seu diretor. Em relação à escolha do Reitor aplico o mesmo raciocínio. Portanto, em minha opinião, não deveria haver lista tríplice. O reitor deveria ser eleito pela comunidade da USP num processo democrático e transparente.
2) O diretor da FEUSP torna-se automaticamente presidente da Fundação de Apoio a Faculdade de Educação (FAFE). Isto faz com que a sua opinião sobre as fundações na universidade seja ainda mais relevante. Qual seria ela?
Leandro: Sinceramente, não sei se devido a esse fato a questão torna-se mais relevante. Para mim a questão sempre se revestiu - e se revestirá - da mesma grande importância. Há certo consenso - ao menos entre os docentes e funcionários da FEUSP - que a FAFE não pode ser comparada às outras fundações. Trata-se de uma entidade que se reporta diretamente à Congregação e não tem sido pequeno o apóio financeiro que a FEUSP recebeu da FAFE (o prédio da biblioteca, as bolsas de IC, etc.). Até onde sei, nenhum professor deixou de cumprir com as suas obrigações por participar de alguma das atividades promovidas pela FAFE. Por outro lado, há as outras atividades, como alguns eventos, que ela não promove, mas administra os recursos financeiros e, assim, compra passagens, paga despesas de hotéis, etc. No entanto, eu pessoalmente nunca entendi a razão esgrimida para que houvesse fundações. Se as fundações são mais ágeis que o paquiderme da USP, pois é, então, devemos botar o dito cujo na esteira de exercícios! E, no ínterim, intensificar o controle e o sentido público de sua existência. Na Argentina elas também existem. Foram criadas pela mesma razão. Obviamente, como aqui, há de todo tipo e qualidade. Já na França não existem e mais ainda até a gestão financeira para gastos corriqueiros da maquinaria universitária é totalmente descentralizada.
Lisete: Não defendo a existência de Fundações “de apoio” à Universidade, mas também não se fecha uma Fundação em curto prazo e sem uma discussão mais ampla. Seria demagogia falar que eu a fecharia tão logo assumisse a Direção da FEUSP. Não pretendo permanecer por longo tempo na presidência da mesma, caso seja eleita Diretora, pois proponho uma alteração estatutária excluindo a vinculação do cargo de Diretor da FE com a Presidência da FAFE, ainda que respeite o trabalho que lá vem sendo feito. Quando fui Chefe do Departamento. EDA solicitei uma reformulação estatutária que desvinculasse essa função da representação automática na FAFE, o que foi aceito, tendo sido votada e aprovada esta alteração no Estatuto da FAFE, que até hoje mantém a desvinculação destas funções.
Ori: A existência da FAFE é um fato e já tem um histórico que nos permite avaliar qual o nível de sua implicação para a FE. Fui representante do EDM, como chefe desse Departamento e pude acompanhar e participar um pouco mais da dinâmica da FAFE. Também, como membro do Conselho Técnico Administrativo – CTA e da Congregação da FE, pude participar inúmeras vezes de discussões sobre o papel da FAFE. Mesmo considerando que, se trata de uma fundação, a lógica do privado se faz presente. Fica, porém, evidente que a FAFE, dada a sua regulamentação, na qual é garantido o acompanhamento de sua gestão pela Congregação da FE, tem sido uma parceira para a FE. Os fundos ali arrecadados têm permitido o desenvolvimento de ações que convergem para a melhoria do ensino e da pesquisa na FE. Também pudemos atender a emergências cujo atendimento não seria possível sem esta parceria. Como é o caso de contratações para a EA, sem as quais teríamos sérios problemas de atendimento aos alunos.
Considero que é essencial que discutamos o emprego dos recursos da FAFE. Penso que eles deveriam se voltar mais para as atividades de cultura e extensão em cursos de formação de professores e na produção de materiais para o ensino de diferentes áreas de conhecimento. Penso também que deveríamos garantir que a Comissão de Cultura e Extensão e a FAFE definissem, conjuntamente, políticas complementares de modo a não se sobreporem em seus propósitos. Ressalto que defendo ser da responsabilidade do Estado promover o ensino público gratuito e de qualidade. E isto implica o Estado garantir condições de infra-estrutura e de pessoal para a realização desse ensino. Não podemos considerar as fundações como fontes de complementação salarial, pois isto tende a desobrigar o Estado de sua responsabilidade de assegurar condições dignas de trabalho para seus educadores e o caráter público da educação.
3) É prevista para a gestão do próximo diretor a abertura de vagas de pedagogia na UNIVESP. Qual é a sua opinião sobre a UNIVESP?
Leandro: Minha mais íntima convicção intelectual é contrária a esse tipo de empreendimentos. Numa série de publicações recentes desenvolvi as razoes pelas quais a considero uma infeliz idéia governamental. Mas uma coisa são minhas convicções intimas, sejam elas quais forem e sobre o tema que for, e uma outra coisa diferente é a responsabilidade do Diretor de exprimir o resultado dos debates institucionais.
Lisete: Defendo que a formação inicial em nível superior seja feita de forma exclusivamente presencial. Além disso, não se justifica – nem sequer em termos emergenciais - a proposta desta modalidade para o Curso de Pedagogia uma vez que o estado de São Paulo é o estado que possui o maior número deles. Se a questão fosse a do aumento de vagas nas Universidades públicas, nós, da FEUSP, já propusemos a abertura de uma nova turma de Pedagogia, no período da manhã, quando temos salas ociosas, que não foi autorizada por alegada falta de verbas para contratar novos professores. Realocar estas verbas para os cursos presenciais públicos é a nossa proposta.
Ori: Sou contra a ingerência da UNIVESP em qualquer que seja o curso da USP. Acho que não há a menor chance de ocorrer alguma interferência no desenvolvimento do nosso curso de Pedagogia que não seja aquela que viermos a construir com os nossos recursos e com as nossas concepções. A UNIVESP deve definir o seu campo de ação de modo a não interferir no que a USP vem realizando no campo da educação. Se algum de nossos professores quiserem participar da UNIVESP que o faça seguindo as atuais regras de regime de trabalho da USP ou seja no caso de o docente ter regime de trabalho RDIDP, deverá solicitar licença ao seu Departamento para prestar serviço a esta instituição.
4) Na última greve tivemos a intervenção da PM no campus da USP, o que você acha desse fato?
Leandro: É lamentável e triste ter-se chegado a esse ponto. Guardei todos os recortes dos jornais da época junto àqueles da época da ditadura que me tocou sofrer quando jovem no século passado. Deixarei todos esses recortes de lembrança para minha filha para quando seja grande. Como ainda ela é pequena, só coleciona figurinhas de monstros!
Lisete: Achei uma intervenção muito perigosa, pois, nos meus quase 40 anos na USP – como aluna e professora – nunca tinha vivido este tipo de agressão à liberdade de ensino e de manifestação do pensamento nesta Universidade. Para deixar clara a nossa posição, naquela ocasião, discutimos a gravidade política de tal fato com meus alunos do curso de Pós-Graduação daquele semestre e fomos todos (a classe aderiu por inteira!) para a entrada da Reitoria e nos posicionamos na frente da tropa militar, onde “demos aula”. O tema foi “Avaliação das Políticas destinadas à Educação de Jovens e Adultos” Considerei importante nossa atitude – fomos vários os professores que fizeram atividades semelhantes. No entanto, estes protestos “pedagógicos” não foram suficientes para “reeducá-los”, pois três dias depois vivemos a agressão dos mesmos, que nos atiraram bombas de gás lacrimogêneo enquanto tentávamos algum diálogo com o comandante da tropa.
A ausência de iniciativa da equipe da Reitoria para evitar o confronto foi lastimável. Sempre é bom lembrar que nossa Diretora, Profª. Sonia Penin, e a Diretora da FFLCH foram as únicas Dirigentes que lá estiveram para se solidarizar conosco e protestar contra aquela truculência.
Ori: Para mim, só existe uma resposta: indignação e repúdio a este ato. Portanto é inadmissível!
5) O curso de pedagogia tem um número bastante significativo de estudantes trabalhadores e egressos de escola pública. Você acha que as atuais políticas de permanência estudantil são suficientes para garantir que estes estudantes tenham uma formação ancorada no tripé ensino, pesquisa e extensão? Como aprimorá-las?
Leandro: Nesse quesito nada é suficiente e eu começaria por colocar na lista o aprimoramento do transporte público para a USP. Peço para discutirmos depois a lista interminável, pois aqui não tenho espaço. Parto do pressuposto que ninguém melhor que os próprios alunos para propor o que deve ser feito.
Lisete: Em relação aos alunos pobres e trabalhadores, não. A discussão sobre alunos oriundos de escolas públicas me parece uma discussão de outro tipo e que não necessariamente está relacionada à permanência estudantil. Acredito que as políticas de permanência estudantil precisam ser concretizadas, de fato, pois como existe uma avaliação geral que o aluno da USP é um privilegiado social, estas políticas foram pouco priorizadas nos últimos 20 anos. A existência de bolsa manutenção – antiga bolsa trabalho - com valor correspondente a um salário mínimo, pelo menos - ao lado da refeição subsidiada, da sala do aluno com boas condições de funcionamento e a residência estudantil são alternativas fundamentais.
A possibilidade do aluno não trabalhar durante o curso é desafio que precisa ser enfrentado e incentivado, no entanto não é de fácil solução pois expressa as condições de vida da população brasileira. Nós temos, na FEUSP, muitos alunos que trabalham e que não poderiam deixar seu trabalho em função de pequena bolsa de estudos/ manutenção, por outro lado, não temos recursos para pagar uma bolsa de valor significativo para que eles deixassem de trabalhar. Mas temos que continuar tentando e não acharmos que o problema é pessoal e portanto “só dele”. A USP lucraria muito com alunos que se dedicassem só a ela. É a mesma lógica que a defesa do nosso regime de trabalho em RDIDP. Em relação ao aluno de São Paulo, precisamos ter, também, uma negociação com os responsáveis pelo transporte público da cidade, pois o baixo número de ônibus não facilita/ e, muitas vezes, impede a permanência dos alunos do curso noturno até o final das aulas. A colocação de maior número de ônibus é urgente; e a decisão do governo estadual de não permitir ou não priorizar – conforme informações diversas - a passagem do metrô por dentro da Cidade Universitária, como acontece em muitos países foi uma perda para a USP, para os alunos, funcionários, professores e a população
Ori: Qualquer curso universitário requer do aluno muita dedicação para que se tenha um bom aproveitamento do que ele oferece. A Universidade, por meio das unidades, deveria proporcionar condições para que o aluno pudesse se envolver em projetos de pesquisa e extensão de modo que esses alunos tenham vivência plena do modo de produzir conhecimento. Entre essas condições destaco salas de estudo e de vivência estudantil, melhorando os espaços existentes e criando novos de acordo com as necessidades e capacidade física da Faculdade. Considero que seja essencial se repensar os cursos noturnos de modo que o aluno possa fazer o seu curso aproveitando a estrutura da Universidade: acesso a museus, CEPEUSP, bibliotecas, participar de grupos de teatro, música etc. É preciso discutir e adequar a política de concessão de bolsas e seu valor (PIBIC, ensinar com pesquisa, cultura e extensão, FAPESP, FAFE etc.), para potencializar e atender a capacidade de estudo, de pesquisa e de compromisso social dos alunos da FE.
6) A extensão é essencial para que o sentido público da universidade seja viabilizado, entretanto ainda são poucos os projetos desenvolvidos. Qual é a sua opinião sobre este assunto?
Leandro: Claro que é essencial! Pessoalmente, a simples assinatura do convênio entre a Prefeitura Municipal de São Paulo e a USP para garantir a continuidade do Projeto Piá – fundado há anos à iniciativa dos alunos - me custou uma porção de neurônios. Em particular, a extensão como modalidade de cooperação com o sistema público de educação deve ter tratamento diferenciado e privilegiado nas atividades dos docentes da FEUSP. Devemos rever desde a burocracia que emperra qualquer iniciativa até a contagem da carga didática docente que desestimula tudo mundo. Talvez caiba pensarmos na possibilidade de integrar projetos de estágios, extensão e pesquisa.
Lisete: É verdade; este é um dos pés do tripé acadêmico – ensino, pesquisa e extensão - que precisa ser mais valorizado, mas é verdade também que o problema discutido na questão anterior é fator interveniente na não participação dos alunos nestas atividades. O preconceito para não-participação também já está entre os alunos, pois a idéia de “ ser o 1º em”, “ser bom aluno” para fazer jus às bolsas oferecidas.
Se não se valorizar nas diferentes pontuações que definem ações e padrões de “excelência” da Universidade, este quadro dificilmente se modificará. É importante que se destaque que temos maior número de propostas de atuação do que recursos financeiros para “bancá-las” na FEUSP e na USP. Portanto, a liberação de mais recursos financeiros, específicos para as atividades de extensão que viabilizem, de forma ágil, as muitas e diversificadas atividades de extensão é disputa política fundamental a ser feita com a Reitoria.
O Centro de Estudos, Pesquisas e Ação em Educação Popular (CEPA-EP), sob coordenação nossa e do Grupo Candeeiro, e que vem prestando importantes serviços na formação de educadores populares que trabalham com educação infantil, em especial, nos cursos e oficinas destinados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) representa, dentre outras interessantes iniciativas disponíveis na FEUSP, como o Lab-Arte, o Centro de Memória, a Brinquedoteca.
Ori: Minha experiência permite afirmar que aliar as atividades de ensino à pesquisa e à extensão é uma forma de contribuir tanto para a formação do aluno como de dar retorno à sociedade sobre o que a Universidade pública realiza. Identifico o Programa Especial de Apoio á Pesquisa Aplicado ao Ensino Público no Estado de São Paulo, financiado pela FAPESP, como um bom exemplo de que, por meio de concessão de bolsas de iniciação científica e de bolsas para os professores das escolas envolvidas, se pode garantir bom nível de produção de conhecimento sobre a educação, formação contínua de professores e formação inicial dos nossos alunos. Outro projeto da maior importância para a formação de professores é o da abertura de vagas para professores da rede pública que freqüentem os nossos cursos regulares. Ele poderia ser aprimorado mediante convênios com as secretarias de educação do município e do estado de modo que seus professores cooperassem com a universidade no recebimento de estagiários para desenvolver projetos de ensino em suas escolas. Penso que também deveríamos analisar a possibilidade de que este projeto fosse estendido para a pós-graduação, respeitada as suas peculiaridades
7) Por fim, apresente as suas principais propostas.
por conta da extensão do material, optamos por deixar apenas online a resposta desta questão: www.cappf.org.br
Leandro: Propostas? Plano de metas? Eu não tenho. Tenho, sim, a convicção da necessidade de se criar na ação cotidiana as condições de possibilidade de um debate honesto e sereno para, assim, construirmos um consenso tanto possível quanto necessário sobre as questões que preocupam. Se for eleito Diretor vou abrir imediatamente o debate sobre a necessidade e os procedimentos desejáveis para reformar o regimento da FEUSP. Se não for eleito, lembrarei, como há anos o venho fazendo, da necessidade de nos implicarmos nessa tarefa. Por outro lado, no que tange a coisas que talvez alguém possa qualificar de miúdas, mas são urgentes, tamanha a impaciência espiritual constatada entre alunos, funcionários e docentes, permito-me anunciar que caso eleito, na primeira semana, por exemplo: contatarei o Prefeito do Campus para falarmos dos ônibus, a Comissão de Graduação para vermos em que pé está matrícula, em particular a dos alunos de Licenciatura, os colegas da Escola de Aplicação, cada uma das seções para uma primeira rodada de trabalho e, obviamente, o CAPPF para uma conversa aberta. Por sinal, também vou ver em que pé anda o imbróglio do prédio novo da Biblioteca....puf, quanta coisa, já me cansei!
Lisete: Estou anexando minha Proposta de Ação para a Direção Colegiada da FEUSP para, de forma mais completa, vocês conhecerem e discutirem – apoiando ou criticando - meu pensamento sobre os diversos aspectos que envolvem a Direção da FEUSP, interna e externamente.
Ori: As minhas principais propostas estão na carta dirigida a comunidade FEUSP.
Este material também encontra-se disponível no site do CAPPF: www.cappf.org.br.
O CAPPF está compondo a Comissão de Consulta à comunidade, junto com Prof. Marília Sposito - representando os docentes, Daniela Scarpa, - representando a Escola de Aplicação, Sidney Fontanetti e Vania Machado - representando os funcionários.
Para conhecer melhor as propostas de cada um dos candidatos, marcamos 3 debates, tentando contemplar diferentes horários para que toda comunidade possa acompanhá-los. A estrutura do Debate foi planejada da seguinte forma:
>> Apresentação inicial das propostas de cada candidato: 10 minutos para cada candidato
>> Respostas às questões: 4 por candidato (5 minutos por pergunta)
>> Abertura para perguntas do público (30 minutos)
Segue o Calendário:
23/03 (3ª feira) às 12h30 – 1º Debate
23/03 (3ª feira) às 20h00 – 2º Debate
05/04: Assembléia do CAPPF pra definir os votos dos RDs – 18h
05/04 (2ª feira) às 16h00 – 3º Debate
Local: Auditório da Escola de Aplicação
06 e 07/04 (3ª e 4ª feira) – Consulta à Comunidade
08/04 (5ª feira) – Eleição para Diretor na Congregação
2010 é ano de eleição pra direção da FEUSP.
Este material especial foi elaborado pelo CAPPF com a contribuição de estudantes para que toda comunidade FEUSPiana fique a par desse processo tão importante que é a escolha para o cargo máximo de poder na Faculdade de Educação.
Iniciamos essa publicação resgatando um pouco a memória e nosso histórico no movimento estudantil, com uma carta escrita pelos estudantes em 2006 sobre o último processo de eleição para direção em 2006 FEUSP:
"Carta sobre a eleição para diretor da FEUSP de 2006
Para o futuro (para ser lido no final de 2009 - sobre o processo eleitoral).
Estamos em março de 2006 e acabamos de passar pelo processo eleitoral para a direção da FEUSP, nesta carta vamos relatar os maiores acertos e erros que tivemos com esse processo que começou no final do ano passado 2005 nas reuniões da Congregação da FEUSP. Na verdade, esperamos que vocês já tenham alcançado as tão desejadas eleições diretas e paritárias que tanto ansiamos.
Quando as conversas de corredor e a pauta da Congregação começaram a falar em eleição para diretor, preparamos com ajuda dos RDs representantes discentes, ou seja, representantes dos estudantes uma carta a ser lida na congregação denunciando o processo e propondo um calendário eleitoral
Havia a possibilidade das eleições caírem em fevereiro, o que seria um desastre pois estaríamos em férias, porém elas foram adiadas para o dia 16 março o que também não foi nada bom, já que, mesmo com as aulas iniciando oficialmente em 20 de fevereiro, a primeira semana foi uma semana de recepção dos calouros e na segunda semana foi o carnaval, ou seja, tivemos apenas duas semanas para mobilizarmos os estudantes.
A congregação indicou a formação de uma comissão eleitoral que era composta de um professor do EDA, um do EDM e um do EDF, além de um funcionário, um estudante e um representante da escola de aplicação. O professor do EDA foi o Romualdo Portela?, que falou que participa da organização da consulta à 16 anos, ou seja, ele pode ajudar bastante vocês a entenderem melhor todo o processo. Nessa comissão nos organizamos 2 debates, um no dia 7 as 10h focado mais nos funcionários e um no dia 8 focado nos professores e alunos da FEUSP além da EA. O ideal seriam 3 debates mas isso era inviável com o tempo.
A comissão ainda organizou a consulta à comunidade, ou seja, um processo informal de eleições diretas e paritárias. A consulta foi um sucesso, principalmente entre os professores e funcionários que votaram quase 100%. Quanto aos alunos foi muito difícil explicarmos todo o processo e convencê-los a votar, mas vamos tratar mais a fundo disso adiante.
O CAPPF, além de fazer cartas à Congregação e participar da comissão eleitoral, enfeitou toda a FEUSP com cartazes que pediam eleições diretas, que questionavam o processo como ele é, em que apenas os professores titulares podem se candidatar e são justamente os professores que, apesar de serem a minoria na faculdade, tem a maioria dos votos na eleição formal. Também enviamos uma carta a todos os professores titulares a fim de sabermos quais eram os candidatos a eleição (se vocês não sabem todos os titulares são candidatos até que eles digam que não são, o que é muito confuso, principalmente quando queremos entrevistar os candidatos ou chamar apenas os candidatos para um debate), a carta tinha algumas perguntas que os candidatos deveriam responder. Publicamos as respostas que recebemos na edição especial do USPedagogos. Após analisarmos as propostas dos candidatos deliberamos em reunião ordinária que não apoiaríamos nenhum candidato, ou seja, incentivaríamos o voto nulo, e para dar uma animadinha lançamos a campanha do Paulo Freire. Apesar da carta programa do Paulo Freire ter ficado super legal, foi meio confuso para as pessoas entenderem que ele era um candidato fictício, além disso, as pessoas não entendiam porque deveriam votar se nenhum candidato era bom. Apenas 278 estudantes votaram (lembrando que os estudantes da pós-graduação e os da licenciatura votam!).
Avaliamos que fizemos um bom trabalho porém fomos imensamente prejudicados pela falta de tempo e assim, não pudemos explicar melhor nossa de escolha de não apoiarmos ninguém.
Na consulta acabou escolhendo a Sonia Penin e fizemos uma assembléia para definirmos os votos dos RDs. Na assembléia foi tirado que apoiaríamos o resultado total da consulta já que, apesar da maioria dos estudantes terem votado na Belmira Bueno, respeitaríamos a paridade da consulta entendendo que ela é um passo na direção de maior democracia na FEUSP.
Na eleição da Congregação a Sonia teve 42 votos, grande maioria, enquanto os outros candidatos (a Belmira e o Nélio Bizzo) tiveram cerca de 5 votos cada, ou seja, a Congregação realmente respeitou a consulta apesar desses 10 ‘pelegos’.
Dicas para 2010:
• Tentem ao máximo marcar a eleição formal para pelo menos 2 messes depois do início das aulas, assim vocês não terão de correr tanto como corremos e poderão fazer um trabalho com melhor qualidade.
• Na reunião da Congregação que tirar o dia da eleição, tirem um dia para o debate, e que ele aconteça no período das aulas. Esse ano ele aconteceu apenas no inter-aulas (18h) o que foi ruim porque muita gente não pode participar, e lembrem-se que a licenciatura e pós também votam e portanto devem estar presentes no debate.
• Conversem muito com os professores mais próximos ao CA, eles podem explicar melhor como funciona o processo formal, além de que eles conhecem melhor os outros professores e, provavelmente, vão poder dizer quem é candidato, qual o histórico de cada candidato, seus pontos positivos e negativos, etc.
• Conversem com estudantes que participaram desse processo anteriormente, eles podem ajudar e muito.
• O debate entre os candidatos foi filmado, ou seja, ele deve estar em algum lugar da Faculdade, o Romualdo provavelmente sabe.
Muita luta pra vocês!!!
Gestão Ousadia 2005/2006"
Entendendo um pouco melhor todo esse processo:
Está no estatuto da USP: todos os cargos de direção, chefia e (pró)reitorias só podem ser ocupados por professores titulares. Esta é a denominação daqueles professores que ocupam as poucas vagas no ponto mais alto da carreira docente dentro da USP. Mas, eis que surge a pergunta: A capacidade de gerir esta universidade deve ser alinhada a progressão profissional de um professor? Na eleição para direção da FEUSP esta regra em relação aos cargos de poder, se mantém.
Mais do que poder, professores titulares são automaticamente as/os candidatas/os às eleições. Quem não quiser pleitear o cargo, publica uma carta de renúncia à candidatura. Assim, só sabemos, de fato, quem NÃO quer ser eleito. Todos outros professores titulares são “votáveis”.
Este ano, três professores mantiveram a candidatura, são eles:
Prof. Leandro de Lajonquière (EDF – Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação). Neste semestre está dando aula para o 2º ano, na disciplina: A Constituição da Subjetividade: Infância e Adolescência.
Profa. Lisete Regina Gomes Arelaro (EDA – Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação). Neste semestre está dando aula para o 2º ano, na disciplina: Política e Organização da Educação Básica I - POEB I
Prof. Manoel Oriosvaldo de Moura (EDM – Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada). Neste semestre está ministrando os estágios no Clube da Matemática.
A escolha da direção da unidade é feita na Congregação: apenas representantes dos demais órgãos colegiados votam e nós, estudantes, temos um voto de nossa representante na graduação e um de nosso representante da pós! E funcionários da FEUSP? Tem UM voto!
O bom nisso tudo é que, apesar de ainda não termos batido de frente com essa capenga democracia USPiana, a FEUSP vem já há muitas eleições realizando a CONSULTA à COMUNIDADE para a eleição da direção!
Serão abertas 3 urnas (uma pra estudantes, uma pra funcionários e outra para professores), com data e horário previamente marcados. Toda a comunidade FEUSP vota no candidato que achar por bem. Acabado o prazo da eleição, os votos de cada categoria serão contados e vale a regra de voto paritário. Ou seja: normaliza-se a quantidade de votos pra uma mesma proporção e vale, na conta final, as porcentagens que cada um recebeu em cada urna.
O combinado é o seguinte: na Congregação, no dia 8 de abril, nossos representantes, lá presentes, comprometem-se a votarem na pessoa eleita na consulta! Ou seja: a eleição da congregação (que tem que acontecer por conta do estatuto da USP) só irá referendar a consulta.
Por isso, é muito importante que participemos do processo!
O CAPPF mandou uma lista de questões aos professores que se manifestaram como candidatos para que pudéssemos conhecer um pouco o que cada um deles pensa sobre alguns temas. Não delimitamos a quantidade de caracteres para cada resposta, por isso, publicamos na íntegra as respostas dos professores. Confira no site outras questões: www.cappf.org.br
Aí vão as questões, com as respostas por ordem de recebimento:
1) Na USP só os professores titulares podem ser candidatos a reitor e diretor de unidade. Além disso, o reitor é escolhido pelo governador do estado (ainda que a partir de uma lista tríplice). Tendo em vista esses fatos, diga o que você pensa sobre a democracia na USP.
Leandro: Creio que, embora pertinente, a questão do caráter democrático das relações na universidade seja mais complexa do que o formulado diretamente na pergunta O caráter democrático de uma instituição, sua qualidade e integridade dependem de regras eleitorais, mas a elas não se resumem. A restrição em nível de titulares para Diretor e Reitor não é privativa da USP. Na maioria das universidades no mundo há sempre alguma dita e singular restrição. Entretanto, há outras onde não há nenhuma nem para Reitor nem para Diretor como, na universidade na qual realizei meus estudos de graduação. É claro, isso passou a ser dessa forma, uma vez encerrada a criminal ditadura militar que governou a Argentina no período 1976 - 1983. Já onde fiz meu Doutorado – na FE da UNICAMP – não há tampouco nenhuma restrição para concorrer ao cargo de Diretor. Relembro que em meu departamento a prioridade para os Professores Titulares na candidatura para a chefia foi abolida, mas no caso da eleição para Diretor o problema é mais complexo porque sua modificação exige mudanças no regimento da USP, que devem ser feitas, mas implicam uma mobilização que extrapola a FE. Vou me permitir, então, centrar a resposta num aspecto muito mais urgente a meu entender: o caráter indireto da eleição. Eu estou convicto que toda eleição seja no nível que for e onde for deve ser simplesmente direta. Embora frágil como toda criação humana, a eleição direita é até agora o melhor das formas das vontades virem a se exprimir com transparência e simplicidade. Por sinal, aproveito para deixar bem claro que só aceitarei ser Diretor caso essa seja a mensagem indubitável das urnas da consulta dos dias 6 e 7 de abril.
Lisete: Apesar da resistência de parte de professores da USP não querer alterá-lo, este modelo está superado, como se pode constatar na última escolha para Reitor. Defendo a realização de uma Estatuinte, democrática, livre e soberana, com ampla participação de professores, estudantes e funcionários técnico-administrativos, conforme já definido em assembléias gerais dessas três categorias.
Falta-nos um estatuto construído democraticamente – já que o último deu-se em 1988 e foi aprovado de forma antidemocrática – pois isso favorecerá a humanização do trabalho e das relações sociais, administrativas e acadêmicas na Universidade. Defendo que a estrutura da Universidade seja fundada em organismos democráticos, com participação de representantes de cada categoria e de cada um dos segmentos. Em particular, chefes de departamento, diretor e reitor devem ser escolhidos por eleições diretas, de forma paritária e proporcional, com a participação de docentes, estudantes e funcionários e sem que a exigência da titulação máxima docente seja o critério preferencial para o preenchimento dessas funções. Tais escolhas devem se esgotar no âmbito dos departamentos, das Unidades e da Universidade, com o fim das listas tríplices para diretor e reitor.
Ori: Considero que a progressão na carreira acadêmica está associada também a gestão da Universidade. A comunidade é quem deve decidir quem considera ter condições para representá-la na coordenação e implementação de projetos e ações que contribuam para o cumprimento das metas e dos objetivos acordados como sendo os mais pertinentes para a realização da função social da FE. Como a contratação de docente na USP exige que o candidato tenha o título de doutor, considero que este, também deva ser o requisito mínimo para ocupar cargos de chefia e coordenação de Comissões. Já, para assumir o cargo de reitor, acho que deve haver amplo conhecimento das diferentes instâncias que compõem a Universidade e da sua complexidade acadêmica e administrativa de modo que o postulante a este cargo tenha uma visão bastante abrangente do seu funcionamento. Acredito que professores associados já tenham condições de serem pró-reitores ou reitores.
A eleição para a direção deveria ser apenas da competência de cada unidade da USP. O processo deveria começar e terminar na unidade e caberia ao Reitor acatar a decisão da unidade sobre a escolha de seu diretor. Em relação à escolha do Reitor aplico o mesmo raciocínio. Portanto, em minha opinião, não deveria haver lista tríplice. O reitor deveria ser eleito pela comunidade da USP num processo democrático e transparente.
2) O diretor da FEUSP torna-se automaticamente presidente da Fundação de Apoio a Faculdade de Educação (FAFE). Isto faz com que a sua opinião sobre as fundações na universidade seja ainda mais relevante. Qual seria ela?
Leandro: Sinceramente, não sei se devido a esse fato a questão torna-se mais relevante. Para mim a questão sempre se revestiu - e se revestirá - da mesma grande importância. Há certo consenso - ao menos entre os docentes e funcionários da FEUSP - que a FAFE não pode ser comparada às outras fundações. Trata-se de uma entidade que se reporta diretamente à Congregação e não tem sido pequeno o apóio financeiro que a FEUSP recebeu da FAFE (o prédio da biblioteca, as bolsas de IC, etc.). Até onde sei, nenhum professor deixou de cumprir com as suas obrigações por participar de alguma das atividades promovidas pela FAFE. Por outro lado, há as outras atividades, como alguns eventos, que ela não promove, mas administra os recursos financeiros e, assim, compra passagens, paga despesas de hotéis, etc. No entanto, eu pessoalmente nunca entendi a razão esgrimida para que houvesse fundações. Se as fundações são mais ágeis que o paquiderme da USP, pois é, então, devemos botar o dito cujo na esteira de exercícios! E, no ínterim, intensificar o controle e o sentido público de sua existência. Na Argentina elas também existem. Foram criadas pela mesma razão. Obviamente, como aqui, há de todo tipo e qualidade. Já na França não existem e mais ainda até a gestão financeira para gastos corriqueiros da maquinaria universitária é totalmente descentralizada.
Lisete: Não defendo a existência de Fundações “de apoio” à Universidade, mas também não se fecha uma Fundação em curto prazo e sem uma discussão mais ampla. Seria demagogia falar que eu a fecharia tão logo assumisse a Direção da FEUSP. Não pretendo permanecer por longo tempo na presidência da mesma, caso seja eleita Diretora, pois proponho uma alteração estatutária excluindo a vinculação do cargo de Diretor da FE com a Presidência da FAFE, ainda que respeite o trabalho que lá vem sendo feito. Quando fui Chefe do Departamento. EDA solicitei uma reformulação estatutária que desvinculasse essa função da representação automática na FAFE, o que foi aceito, tendo sido votada e aprovada esta alteração no Estatuto da FAFE, que até hoje mantém a desvinculação destas funções.
Ori: A existência da FAFE é um fato e já tem um histórico que nos permite avaliar qual o nível de sua implicação para a FE. Fui representante do EDM, como chefe desse Departamento e pude acompanhar e participar um pouco mais da dinâmica da FAFE. Também, como membro do Conselho Técnico Administrativo – CTA e da Congregação da FE, pude participar inúmeras vezes de discussões sobre o papel da FAFE. Mesmo considerando que, se trata de uma fundação, a lógica do privado se faz presente. Fica, porém, evidente que a FAFE, dada a sua regulamentação, na qual é garantido o acompanhamento de sua gestão pela Congregação da FE, tem sido uma parceira para a FE. Os fundos ali arrecadados têm permitido o desenvolvimento de ações que convergem para a melhoria do ensino e da pesquisa na FE. Também pudemos atender a emergências cujo atendimento não seria possível sem esta parceria. Como é o caso de contratações para a EA, sem as quais teríamos sérios problemas de atendimento aos alunos.
Considero que é essencial que discutamos o emprego dos recursos da FAFE. Penso que eles deveriam se voltar mais para as atividades de cultura e extensão em cursos de formação de professores e na produção de materiais para o ensino de diferentes áreas de conhecimento. Penso também que deveríamos garantir que a Comissão de Cultura e Extensão e a FAFE definissem, conjuntamente, políticas complementares de modo a não se sobreporem em seus propósitos. Ressalto que defendo ser da responsabilidade do Estado promover o ensino público gratuito e de qualidade. E isto implica o Estado garantir condições de infra-estrutura e de pessoal para a realização desse ensino. Não podemos considerar as fundações como fontes de complementação salarial, pois isto tende a desobrigar o Estado de sua responsabilidade de assegurar condições dignas de trabalho para seus educadores e o caráter público da educação.
3) É prevista para a gestão do próximo diretor a abertura de vagas de pedagogia na UNIVESP. Qual é a sua opinião sobre a UNIVESP?
Leandro: Minha mais íntima convicção intelectual é contrária a esse tipo de empreendimentos. Numa série de publicações recentes desenvolvi as razoes pelas quais a considero uma infeliz idéia governamental. Mas uma coisa são minhas convicções intimas, sejam elas quais forem e sobre o tema que for, e uma outra coisa diferente é a responsabilidade do Diretor de exprimir o resultado dos debates institucionais.
Lisete: Defendo que a formação inicial em nível superior seja feita de forma exclusivamente presencial. Além disso, não se justifica – nem sequer em termos emergenciais - a proposta desta modalidade para o Curso de Pedagogia uma vez que o estado de São Paulo é o estado que possui o maior número deles. Se a questão fosse a do aumento de vagas nas Universidades públicas, nós, da FEUSP, já propusemos a abertura de uma nova turma de Pedagogia, no período da manhã, quando temos salas ociosas, que não foi autorizada por alegada falta de verbas para contratar novos professores. Realocar estas verbas para os cursos presenciais públicos é a nossa proposta.
Ori: Sou contra a ingerência da UNIVESP em qualquer que seja o curso da USP. Acho que não há a menor chance de ocorrer alguma interferência no desenvolvimento do nosso curso de Pedagogia que não seja aquela que viermos a construir com os nossos recursos e com as nossas concepções. A UNIVESP deve definir o seu campo de ação de modo a não interferir no que a USP vem realizando no campo da educação. Se algum de nossos professores quiserem participar da UNIVESP que o faça seguindo as atuais regras de regime de trabalho da USP ou seja no caso de o docente ter regime de trabalho RDIDP, deverá solicitar licença ao seu Departamento para prestar serviço a esta instituição.
4) Na última greve tivemos a intervenção da PM no campus da USP, o que você acha desse fato?
Leandro: É lamentável e triste ter-se chegado a esse ponto. Guardei todos os recortes dos jornais da época junto àqueles da época da ditadura que me tocou sofrer quando jovem no século passado. Deixarei todos esses recortes de lembrança para minha filha para quando seja grande. Como ainda ela é pequena, só coleciona figurinhas de monstros!
Lisete: Achei uma intervenção muito perigosa, pois, nos meus quase 40 anos na USP – como aluna e professora – nunca tinha vivido este tipo de agressão à liberdade de ensino e de manifestação do pensamento nesta Universidade. Para deixar clara a nossa posição, naquela ocasião, discutimos a gravidade política de tal fato com meus alunos do curso de Pós-Graduação daquele semestre e fomos todos (a classe aderiu por inteira!) para a entrada da Reitoria e nos posicionamos na frente da tropa militar, onde “demos aula”. O tema foi “Avaliação das Políticas destinadas à Educação de Jovens e Adultos” Considerei importante nossa atitude – fomos vários os professores que fizeram atividades semelhantes. No entanto, estes protestos “pedagógicos” não foram suficientes para “reeducá-los”, pois três dias depois vivemos a agressão dos mesmos, que nos atiraram bombas de gás lacrimogêneo enquanto tentávamos algum diálogo com o comandante da tropa.
A ausência de iniciativa da equipe da Reitoria para evitar o confronto foi lastimável. Sempre é bom lembrar que nossa Diretora, Profª. Sonia Penin, e a Diretora da FFLCH foram as únicas Dirigentes que lá estiveram para se solidarizar conosco e protestar contra aquela truculência.
Ori: Para mim, só existe uma resposta: indignação e repúdio a este ato. Portanto é inadmissível!
5) O curso de pedagogia tem um número bastante significativo de estudantes trabalhadores e egressos de escola pública. Você acha que as atuais políticas de permanência estudantil são suficientes para garantir que estes estudantes tenham uma formação ancorada no tripé ensino, pesquisa e extensão? Como aprimorá-las?
Leandro: Nesse quesito nada é suficiente e eu começaria por colocar na lista o aprimoramento do transporte público para a USP. Peço para discutirmos depois a lista interminável, pois aqui não tenho espaço. Parto do pressuposto que ninguém melhor que os próprios alunos para propor o que deve ser feito.
Lisete: Em relação aos alunos pobres e trabalhadores, não. A discussão sobre alunos oriundos de escolas públicas me parece uma discussão de outro tipo e que não necessariamente está relacionada à permanência estudantil. Acredito que as políticas de permanência estudantil precisam ser concretizadas, de fato, pois como existe uma avaliação geral que o aluno da USP é um privilegiado social, estas políticas foram pouco priorizadas nos últimos 20 anos. A existência de bolsa manutenção – antiga bolsa trabalho - com valor correspondente a um salário mínimo, pelo menos - ao lado da refeição subsidiada, da sala do aluno com boas condições de funcionamento e a residência estudantil são alternativas fundamentais.
A possibilidade do aluno não trabalhar durante o curso é desafio que precisa ser enfrentado e incentivado, no entanto não é de fácil solução pois expressa as condições de vida da população brasileira. Nós temos, na FEUSP, muitos alunos que trabalham e que não poderiam deixar seu trabalho em função de pequena bolsa de estudos/ manutenção, por outro lado, não temos recursos para pagar uma bolsa de valor significativo para que eles deixassem de trabalhar. Mas temos que continuar tentando e não acharmos que o problema é pessoal e portanto “só dele”. A USP lucraria muito com alunos que se dedicassem só a ela. É a mesma lógica que a defesa do nosso regime de trabalho em RDIDP. Em relação ao aluno de São Paulo, precisamos ter, também, uma negociação com os responsáveis pelo transporte público da cidade, pois o baixo número de ônibus não facilita/ e, muitas vezes, impede a permanência dos alunos do curso noturno até o final das aulas. A colocação de maior número de ônibus é urgente; e a decisão do governo estadual de não permitir ou não priorizar – conforme informações diversas - a passagem do metrô por dentro da Cidade Universitária, como acontece em muitos países foi uma perda para a USP, para os alunos, funcionários, professores e a população
Ori: Qualquer curso universitário requer do aluno muita dedicação para que se tenha um bom aproveitamento do que ele oferece. A Universidade, por meio das unidades, deveria proporcionar condições para que o aluno pudesse se envolver em projetos de pesquisa e extensão de modo que esses alunos tenham vivência plena do modo de produzir conhecimento. Entre essas condições destaco salas de estudo e de vivência estudantil, melhorando os espaços existentes e criando novos de acordo com as necessidades e capacidade física da Faculdade. Considero que seja essencial se repensar os cursos noturnos de modo que o aluno possa fazer o seu curso aproveitando a estrutura da Universidade: acesso a museus, CEPEUSP, bibliotecas, participar de grupos de teatro, música etc. É preciso discutir e adequar a política de concessão de bolsas e seu valor (PIBIC, ensinar com pesquisa, cultura e extensão, FAPESP, FAFE etc.), para potencializar e atender a capacidade de estudo, de pesquisa e de compromisso social dos alunos da FE.
6) A extensão é essencial para que o sentido público da universidade seja viabilizado, entretanto ainda são poucos os projetos desenvolvidos. Qual é a sua opinião sobre este assunto?
Leandro: Claro que é essencial! Pessoalmente, a simples assinatura do convênio entre a Prefeitura Municipal de São Paulo e a USP para garantir a continuidade do Projeto Piá – fundado há anos à iniciativa dos alunos - me custou uma porção de neurônios. Em particular, a extensão como modalidade de cooperação com o sistema público de educação deve ter tratamento diferenciado e privilegiado nas atividades dos docentes da FEUSP. Devemos rever desde a burocracia que emperra qualquer iniciativa até a contagem da carga didática docente que desestimula tudo mundo. Talvez caiba pensarmos na possibilidade de integrar projetos de estágios, extensão e pesquisa.
Lisete: É verdade; este é um dos pés do tripé acadêmico – ensino, pesquisa e extensão - que precisa ser mais valorizado, mas é verdade também que o problema discutido na questão anterior é fator interveniente na não participação dos alunos nestas atividades. O preconceito para não-participação também já está entre os alunos, pois a idéia de “ ser o 1º em”, “ser bom aluno” para fazer jus às bolsas oferecidas.
Se não se valorizar nas diferentes pontuações que definem ações e padrões de “excelência” da Universidade, este quadro dificilmente se modificará. É importante que se destaque que temos maior número de propostas de atuação do que recursos financeiros para “bancá-las” na FEUSP e na USP. Portanto, a liberação de mais recursos financeiros, específicos para as atividades de extensão que viabilizem, de forma ágil, as muitas e diversificadas atividades de extensão é disputa política fundamental a ser feita com a Reitoria.
O Centro de Estudos, Pesquisas e Ação em Educação Popular (CEPA-EP), sob coordenação nossa e do Grupo Candeeiro, e que vem prestando importantes serviços na formação de educadores populares que trabalham com educação infantil, em especial, nos cursos e oficinas destinados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) representa, dentre outras interessantes iniciativas disponíveis na FEUSP, como o Lab-Arte, o Centro de Memória, a Brinquedoteca.
Ori: Minha experiência permite afirmar que aliar as atividades de ensino à pesquisa e à extensão é uma forma de contribuir tanto para a formação do aluno como de dar retorno à sociedade sobre o que a Universidade pública realiza. Identifico o Programa Especial de Apoio á Pesquisa Aplicado ao Ensino Público no Estado de São Paulo, financiado pela FAPESP, como um bom exemplo de que, por meio de concessão de bolsas de iniciação científica e de bolsas para os professores das escolas envolvidas, se pode garantir bom nível de produção de conhecimento sobre a educação, formação contínua de professores e formação inicial dos nossos alunos. Outro projeto da maior importância para a formação de professores é o da abertura de vagas para professores da rede pública que freqüentem os nossos cursos regulares. Ele poderia ser aprimorado mediante convênios com as secretarias de educação do município e do estado de modo que seus professores cooperassem com a universidade no recebimento de estagiários para desenvolver projetos de ensino em suas escolas. Penso que também deveríamos analisar a possibilidade de que este projeto fosse estendido para a pós-graduação, respeitada as suas peculiaridades
7) Por fim, apresente as suas principais propostas.
por conta da extensão do material, optamos por deixar apenas online a resposta desta questão: www.cappf.org.br
Leandro: Propostas? Plano de metas? Eu não tenho. Tenho, sim, a convicção da necessidade de se criar na ação cotidiana as condições de possibilidade de um debate honesto e sereno para, assim, construirmos um consenso tanto possível quanto necessário sobre as questões que preocupam. Se for eleito Diretor vou abrir imediatamente o debate sobre a necessidade e os procedimentos desejáveis para reformar o regimento da FEUSP. Se não for eleito, lembrarei, como há anos o venho fazendo, da necessidade de nos implicarmos nessa tarefa. Por outro lado, no que tange a coisas que talvez alguém possa qualificar de miúdas, mas são urgentes, tamanha a impaciência espiritual constatada entre alunos, funcionários e docentes, permito-me anunciar que caso eleito, na primeira semana, por exemplo: contatarei o Prefeito do Campus para falarmos dos ônibus, a Comissão de Graduação para vermos em que pé está matrícula, em particular a dos alunos de Licenciatura, os colegas da Escola de Aplicação, cada uma das seções para uma primeira rodada de trabalho e, obviamente, o CAPPF para uma conversa aberta. Por sinal, também vou ver em que pé anda o imbróglio do prédio novo da Biblioteca....puf, quanta coisa, já me cansei!
Lisete: Estou anexando minha Proposta de Ação para a Direção Colegiada da FEUSP para, de forma mais completa, vocês conhecerem e discutirem – apoiando ou criticando - meu pensamento sobre os diversos aspectos que envolvem a Direção da FEUSP, interna e externamente.
Ori: As minhas principais propostas estão na carta dirigida a comunidade FEUSP.
Este material também encontra-se disponível no site do CAPPF: www.cappf.org.br.
O CAPPF está compondo a Comissão de Consulta à comunidade, junto com Prof. Marília Sposito - representando os docentes, Daniela Scarpa, - representando a Escola de Aplicação, Sidney Fontanetti e Vania Machado - representando os funcionários.
Para conhecer melhor as propostas de cada um dos candidatos, marcamos 3 debates, tentando contemplar diferentes horários para que toda comunidade possa acompanhá-los. A estrutura do Debate foi planejada da seguinte forma:
>> Apresentação inicial das propostas de cada candidato: 10 minutos para cada candidato
>> Respostas às questões: 4 por candidato (5 minutos por pergunta)
>> Abertura para perguntas do público (30 minutos)
Segue o Calendário:
23/03 (3ª feira) às 12h30 – 1º Debate
23/03 (3ª feira) às 20h00 – 2º Debate
05/04: Assembléia do CAPPF pra definir os votos dos RDs – 18h
05/04 (2ª feira) às 16h00 – 3º Debate
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Última modificação em Quinta-feira 25 de Março, 2010 16:12:04.
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